"Eu estava construindo três casas, mas parei de investir aqui. Eu vendo agora o que tenho para quem quiser comprar", disse Arlindo Reis. É esse o dilema da maioria dos moradores do Novo Jóquei. De acordo com a Prefeitura o local é irregular. As casas foram construídas de forma clandestina, porque não havia fiscalização na época. Hoje o local cresceu e há muitas residências. A luz elétrica já foi instalada, e os moradores querem ser reconhecidos como um bairro legalizado.
"Aqui não tem nada. A eleição está aí, agora vão começar a vir fazer promessas. Muita gente já foi embora daqui porque nada melhora", lamentou Arlindo.
A dona de casa Joelma Ribeiro Alves, 38, mora no bairro há dez anos e diz que nunca viu melhorias no local. "A água daqui é péssima. Eu tenho que comprar galões de 20 litros para cozinhar porque nós usamos poço e não é de boa qualidade. Eu filtro água com areia e ela sai escura. Quando preciso lavar roupa branca eu coloco em um saco e levo de bicicleta até a casa da minha mãe para lavar lá”, contou.
Cansado de tanto esperar por melhorias Geraldo Inácio Wagner, de 40 anos, fez um abaixo assinado em fevereiro deste ano e reuniu quase duas mil assinaturas. Um inquérito civil foi instaurado pelo Ministério Público Estadual. As condições do local foram consideradas precárias, nas áreas de pavimentação, esgoto, água, escolas e posto médico. “A Prefeitura alega que uma creche escola está sendo construída, mas eu quero que me mostrem onde está essa escola. Disseram que estão fazendo uma pracinha, mas cadê?”, disse Geraldo.
Os moradores já fizeram cinco manifestações pedindo melhorias e afirmam que vão fazer quantos protestos forem necessários até conseguirem o que precisam.
Nas ruas há animais soltos. Além disso o bairro não tem asfaltamento. E quem vive no local não sabe mais o que fazer com tanta poeira. “Minha filha está com um problema de saúde e o médico disse que ela não pode pegar poeira, mas eu vou fazer o quê? Limpo meus móveis o dia inteiro, mas dali a alguns minutos está tudo sujo de novo” disse Joelma.
No bairro também não há rede de esgoto e todos os moradores tem fossas sépticas, o que causa transtorno sempre que elas transbordam. “Nós já chamamos o caminhão limpa fossa há dez dias e até agora ninguém veio”, criticou Neiva de Oliveira, moradora.
Na rua Marechal Nunes Azeredo, um ferro velho piora a situação do bairro. “Nós temos medo de assaltos à noite. Além disso, esses carros escondem focos de dengue. Uma vizinha contraiu a doença e foi embora daqui. Nós vendemos muito remédio de mosquito porque todo mundo tem medo” comentou José Carlos Rangel, comerciante. A doceira Dilcinéia Moreira, de 50 anos, parou de trabalhar porque não encontra materiais para comprar no bairro. “Só tem o básico aqui. E se preciso ir ao centro, tenho que esperar o ônibus por uma hora ou mais. Desisti de fazer meus doces, mas vou morar em outro lugar o quanto antes.”, informou.
Quem vive no local também não conta com o serviço dos Correios e faz o que pode para receber as correspondências. “Eu dou o endereço de conhecidos meus ou então não tenho como receber nada. Antes tinha uma associação aqui que fazia esse serviço, mas nem isso tem mais.”, reclamou Cláudio José Gomes, de 52 anos, pedreiro.
No site oficial da Prefeitura de Campos constam como investimento no Novo Jóquei, casas do Morar Feliz e a construção de uma creche-escola, que se encontra em fase de acabamento. A informação do site diz ainda que a escola municipal foi construída em local estratégico, com o intuito de atender, tanto aos antigos como os novos moradores. A nova creche escola está sendo construída na Rua Nova Jerusalém e a obra se encontra com cerca de 50% dos trabalhos realizados. Fonte: www.camposnoticia.com.br